Diário da Matilde - viagem à Suécia
● 1º dia: domingo, dia 15 de março Estava tão excitada e ansiosa com a viagem (ao contrário dos meus pais), que nesse dia não dormi NADA!!! Tínhamos de estar às 02:30 da manhã, no aeroporto de Lisboa, e tive de “matar” tempo até chegar ao momento de sair de casa, por isso, estive a ver uma série. Quando chegou a hora marcada fomos ter ao aeroporto e já lá estava o David. Estivemos cerca de trinta minutos à espera dos outros chegarem, mas felizmente chegaram todos a tempo. Tivemos de esperar uma eternidade numa fila, por causa dos bilhetes e das malas. Quando chegou a nossa vez, descobrimos que tínhamos de pôr a mala no porão, algo que não estava combinado. Lá entregámos as malas e como tínhamos de nos despachar, despedi-me dos meus pais a correr. Passámos pela segurança (nem tive tempo de comprar nada; tinha pensado em comprar um chocolate para a viagem) e fomos diretos para a porta de embarque. Ao passar por ela, fomos ter a um autocarro que nos levou para a entrada do avião. O avião ia de Lisboa até Amesterdão e foi nele que perdi o meu único fone que funcionava. Fiquei tão triste… mas não valia a pena refilar ou lamentar-me, não havia nada a fazer… Foi difícil ter a rede wi-fi do avião nos nossos aparelhos eletrónicos; só consegui emparelhar a rede no meu tablet, já a Inês conseguiu no seu tablet e telemóvel, mas não conseguia ver os filmes que tinha transferido. Dormi um pouco e a Inês também. Enquanto dormíamos, a professora Rosário tirou-nos fotos e enviou-as para os pais. Eu estava ao lado da janela, a Inês ao meu lado e a professora Rosário, por sua vez, ao lado dela. O David também estava ao lado da janela, mas do lado oposto ao nosso. O Xinhao estava ao seu lado e a professora Dora estava ao lado do Xinhao. Ah! É verdade… esta foi a primeira viagem de avião do David, foi o seu batismo de voo. Ao aterramos fomos a correr para o próximo voo que nos levou à cidade de Gotemburgo na Suécia. A duração deste segundo voo foi menor do que o primeiro. Nesta viagem, estive a jogar com a Inês no seu telemóvel, tirámos várias fotos e reparámos que na janela do avião tinham-se formado flocos de gelo (bem bonitos). Quando chegámos a Gotemburgo, fomos logo buscar as nossas malas, infelizmente, a mala do Xinhao estava partida e, as malas dos meus colegas e professoras ficaram riscadas. Felizmente, a minha não estava, pois eu tinha uma mochila e não um trolley como os outros. Eu e a Inês sabíamos o motivo da mala do Xinhao estar partida: quando aterrámos, foi necessário esperar um pouco pela equipa do aeroporto para que tirassem as malas do porão, e vimos que o senhor que cuidou das nossas malas atirou-as com toda a força para o carrinho. Pelo sucedido, o Xinhao teve de apresentar uma queixa. Ao sair do aeroporto, fomos de autocarro até ao nosso hotel. Quando chegámos já passava da hora do check-in no nosso hotel, então deixámos as nossas malas numa sala do hotel e fomos passear pela cidade. Andámos às voltas pela cidade, sem nenhuma direção definida. Enquanto isso, o David estava muito cansado, pois só dormiu um pouco no avião. Depois de muito andar e de termos percorrido várias ruas da cidade, fomos descansar num café, na Central (Estação?) de Comboios. Todos beberam um chá, menos eu que pedi um copo de leite, porque não gosto de chá. Foi aí que finalmente consegui entrar em contacto com os meus pais, porque estava com dificuldades em aceder às redes de wi-fi por onde passávamos. Já começava a ficar tarde e estávamos a ficar famintos; precisávamos de jantar. Por isso, fomos a um supermercado com a intenção de comermos algo já pronto e quente, mas só havia comida fria que precisava de ser aquecida no microondas, ou então, saladas frias. Eu não me importava de as comer, mas as professoras disseram que tínhamos de comer algo quente, então fomos ao Burger King e levámos comida para os quartos de hotel. Os quartos estavam ocupados da seguinte forma: o quarto da professora Dora era no segundo andar, no fim do corredor; o da professora Rosário, era no terceiro andar; e nós, os alunos, ficamos no quinto andar. Eu e a Inês partilhámos um quarto e ficava no lado esquerdo, de quem sai do elevador, e ficava mais perto das escadas. O David e o Xinhao, também partilharam um quarto, que ficava no lado direito de quem sai do elevador. Antes de irmos para os nossos quartos, fomos buscar as nossas malas; combinámos as horas que tínhamos de estar no pequeno-almoço e despedimo-nos das professoras. Enquanto estávamos no elevador, tirámos uma selfie e ao chegar no quinto andar despedimo-nos dos rapazes e entrámos no nosso quarto. O quarto era simples mas acolhedor: tinha uma cama grande, um radiador, a janela tinha vista para as linhas do comboio, uma televisão, uma ventoinha, um secador, um ferro de engomar, tábua de passar a ferro, uns cabides, uma casa de banho com chuveiro, um lavatório e uma sanita e aí, podíamos regular a luz. Assim que chegámos, organizámos as nossas coisas, tomámos banho, falámos com as nossas famílias, vestimos o pijama e jantámos, enquanto assistíamos um filme (não o vimos todo, porque estávamos “quase a dormir em pé”). Lavámos os dentes e antes de dormir, treinámos um pouco a nossa apresentação.
● 2º dia: segunda-feira, dia 16 de março Acordámos muito cedo, pois tínhamos de ir de autocarro para a escola que nos recebeu. Eu e a Inês fomos as primeiras a chegar à sala de refeições para tomar o pequeno-almoço, logo a seguir chegaram as professoras e depois, os rapazes. O pequeno-almoço foi de buffet, o que significa que íamos buscar a comida e tirávamos o que queríamos. Não era exorbitante mas também não era mal servido. Tinha poucas coisas tradicionais, mas a comida era muito boa e bem servida. As professoras disseram-nos para comermos bem, pois não sabíamos a que horas íamos almoçar, por isso enchemos os pratos até cima. Quando terminámos o pequeno-almoço, dirigimo-nos para os nossos quartos para lavarmos os dentes e prepararmo-nos para sair. Depois de estarmos todos prontos, fomos para a paragem de autocarro. Assim que o autocarro chegou, entrámos (a professora Rosário pagou a viagem com um passe digital no seu telemóvel) e sentámo-nos nos últimos lugares, no fundo do autocarro. Eu fiquei ao lado da Inês e os rapazes estavam atrás de nós. As professoras ficaram mais para a frente. Antes de chegarmos à nossa paragem, ficámos de boca aberta ao ver a escola que nos recebeu. Desde a paragem até à escola, passaram cerca de 30 minutos. A paragem ficava mesmo em frente da escola e, ao sairmos, fomos logo recebidos pelo professor Hakan que nos fez uma visita guiada pela escola. Ao entrar fiquei deslumbrada... Aquilo não parecia uma escola, mas sim um centro comercial. Havia o corredor principal, no primeiro piso, que dava acesso a vários locais. Daqui podíamos seguir para corredores secundários, para as escadas, para o refeitório, para o ginásio, para a garagem, ou para a ligação de um prédio ao outro. Esta ligação era uma ponte que unia os dois prédios que faziam parte da escola. Cada corredor secundário era de uma determinada área e nele estavam as salas de aula dessas áreas. Nos corredores secundários haviam cacifos e mesas com bancos que os alunos podiam frequentar. Os bancos eram muito parecidos aos que são colocados nas ruas de Portugal, em parques, mas estes estavam perfeitamente limpos, eram confortáveis e tinham cores suaves (bege e cinzento). No corredor principal, havia um bar de alunos, mas era muito diferente do nosso, já que vendia alguns bolos e tinha talheres à disposição de todos. Também, no corredor principal, as mesas tinham guarda-sóis… era fácil sentirmos como se estivéssemos numa esplanada. No segundo andar, localizava-se a sala dos professores, a Direção e outros corredores secundários e as salas das respectivas áreas. No terceiro andar, os corredores são de áreas de artes, tanto de música, como visual. Neste andar, existe: uma sala de dança (era como aquelas salas de ballet e dança profissional, com um espelho ao comprido); uma sala para dramatização (sala grande e com bastante espaço, preta e com cortinas pretas); uma sala de professores destas áreas; sala de artes; salas de música (a maior parte delas com instrumentos musicais); sala de arte têxtil/moda; sala de design gráfico; e uma sala gigante, forrada de madeira, com uma janela grande, um estúdio ao lado com equipamentos adequados, lâmpadas com um modelo que ajuda na propagação do som, um quadro branco e vários instrumentos musicais. Esta sala grande tem ligação com outra sala, e para abafar o som, a ligação das salas são duas portas com material abafador. Esta e a outra sala estava cheia de instrumentos de percussão e tinha outra ligação com outra sala que também estava cheia de instrumentos. O outro prédio é praticamente a mesma coisa, mas mais pequeno e sem salas muito grandes. A escola fica ao lado de um lago, e no inverno, quando este está congelado e, com boas condições de gelo, os professores e os alunos podem ir aí patinar. Também existe outro lago, mas maior, que fica um bocadinho mais longe. As instalações são excelentes. Antes de começar a visita guiada, entrámos na sala dos professores para deixarmos os agasalhos e as malas. A sala dos professores era muito confortável. Havia uma divisão com mesas grandes, que os professores usavam para almoçar e uma outra divisão onde haviam sofás, cadeiras e mesas. Também havia um quadro de cortiça cheia de canecas, uma máquina de café, um balcão, uma máquina de lavar loiça, um lava loiças, armários, casa de banho mista, … Ao longo da visita, o professor Hakan explicou que os alunos não aprendem só a teoria, também tinham muita prática, e uma das provas disso é a escola ter uma garagem que disponibiliza carros e motos para os alunos de mecânica já treinarem com modelos verdadeiros. Também, os alunos que querem ser eletricista podem treinar em quadros elétricos próprios. Durante a visita, muitos alunos estavam nos corredores a estudar, a fazerem trabalhos ou só a conviver. Eu achei isto muito estranho, mas o professor Hakan explicou que o horário dos alunos era diferente do nosso. Eles só têm aulas de manhã e às vezes têm horas livres, sem aulas, que utilizam para fazerem trabalhos, estudarem, ou simplesmente, conviverem com os amigos. Quando as aulas terminam, os alunos podem ir embora, ou podem ficar na escola a estudar e praticar. Se os alunos precisarem de alguma ajuda nos seus estudos podem pedir ajuda aos professores à tarde e existem horários para isso. Uma maneira de saberem esses horários é verem uma televisão que está no corredor principal que transmite todos os horários e até mostra como pedir mais informações, ou ajuda, no facebook e assim, contactar os professores. Ao longo da visita, ninguém gritava nos corredores e não havia lixo no chão. Na escola inteira só vi um guardanapo e um saco de papel no chão. A escola era muito silenciosa e limpa. No final da visita, assistimos e participámos numa aula de canto. Fomos divididos pelas classificações das nossas vozes: eu, a Inês e a professora Rosário ficamos ao pé das Soprano, o David foi para os Baixos, o Xinhao para os Altos, e a professora Dora para as Mezzo-Soprano/ Contralto. Foi muito divertido e enriquecedor esta aula, pois pude aprender algumas dicas para melhorar o meu canto e experienciei como eles treinam. Eles seguiam partituras de canto e são muito bons a lê-las e fazem-no naturalmente e sem esforço, algo que é difícil. A maior parte das músicas que cantaram foram em sueco, por isso a única maneira de acompanhar era tentar ler as palavras e ler a partitura. Não foi muito difícil, mas foi desafiador e divertido. Depois fomos almoçar no refeitório da escola. Quando lá chegamos eram cerca das 13 horas e já não estava lá ninguém, pois durante a visita guiada, os alunos estavam todos no refeitório por volta das 11 horas. Reparei que os alunos podiam comer dentro do refeitório, ou podiam fazê-lo nas mesas dos corredores, deixando depois no final, tudo limpo. O refeitório parecia um restaurante de buffet. Éramos nós que nos serviamos e estava tudo identificado. Tinha muito espaço e conseguimos ver o exterior e a entrada da escola pelas grandes janelas. As cadeiras tinham um modelo muito interessante, porque consegue-se encaixar os braços da cadeira a mesa e a cadeira fica pendurada, e assim facilita muito a limpeza. Eu experimentei a comida vegetariana que era massa com imitação de carne (não sei se se chama “seitan”. Estava delicioso. Come-se muito bem lá. Quando terminámos o almoço, tivemos uma aula de percussão, mas antes os alunos tocaram uma peça que expressava como às vezes o caminho pode ser uma linha reta, ou círculos sem fim. Na aula de percussão aprendemos como usar as baquetas e aprendemos a fazer alguns tempos. Antes de sairmos da escola, depois da aula de percussão, deixamos uma prenda à porta da sala da diretora como agradecimento por nos acolherem. Saímos da escola e fomos visitar o bairro mais antigo de Gothenburg: Haga. Fomos de autocarro e depois seguimos a pé. Em Haga, comemos o famoso bolo de canela, chamado “kanelbulle” e, parámos num café para descansar. Nesse café, as professoras, o Xinhao e o David experimentaram a cerveja típica de Gothenburg. Eu e a Inês não podíamos, já que éramos menores de idade, por isso a Inês pediu um refrigerante e eu… bem, não me apetecia nada, por isso, não pedi nada. Durante a tarde, o Xinhao estava de mau humor, mas depois passou-lhe. Depois, voltámos para o hotel. Tanto as professoras como o David, não quiseram jantar, já que tinham andado a petiscar durante o dia, mas tanto eu, como o Xinhao e a Inês, decidimos que iríamos jantar no hotel. O David fez-nos companhia. Comemos uma pizza cheia de rúcula (parecia uma pizza de relva)... não foi má, mas podia ser melhor (não sou fã de rúcula). Ao terminar o jantar, jogámos uma partida de matraquilhos. As equipas eram: eu e o David contra a Inês e o Xinhao. A Inês e o Xinhao perderam contra nós. Foi muito divertido. Fomos todos para o nosso quarto e eu e a Inês preparámo-nos para ir para a cama, e fomos dormir.
● 3º dia: terça-feira, dia 17 de março Desta vez acordámos uma hora mais tarde do que nos dias anteriores e fomos todos tomar o pequeno-almoço. Depois subimos para os nossos quartos para lavar os dentes e prepararmo-nos para sair. Quando eu e a Inês descemos, os rapazes estavam a jogar matraquilhos e juntamo-nos a eles. Formámos as mesmas equipas e jogámos duas partidas. Eu e o David ganhámos os dois jogos com uma grande diferença de pontos. Voltámos à escola de autocarro e tivemos uma aula de canto; só nós e dois professores. Aprendemos a cantar e a fazer linguagem gestual de uma música sueca e treinámos a famosa música, do grupo Abba, “Mamma Mia”. Neste dia, o refeitório estava fechado, mas deram-nos comida em taparueres. Comemos na sala dos professores e conhecemos a diretora. Era muito simpática e agradeceu a prenda que lhe tínhamos dado anteriormente. A comida era uma salada fria com massa e podíamos pôr um molho e deram-nos também um pão (estava muito boa). O resto do dia foram ensaios atrás de ensaios, porque às 19 horas íamos participar num concerto com os alunos da escola. Foi um autêntico desafio às nossas capacidades. Fizémos uma coreografia rapidamente da música popular portuguesa: “Malhão, malhão”. Treinámos a música “Mamma Mia” com os alunos, a cantar e a tocar. Praticámos com os alunos a música portuguesa: “Quando eu era pequenino” e eu e a professora Rosário fomos convidadas a tocar esta música no violino. A partitura tinha um arranjo à espanhola e estava com compassos terciários, o que quer dizer que cada compasso tinha três tempos no total. A escala que estava na partitura tinha três bemóis. Eu posso estar avançada no violino mas sou uma mera amadora para profissionais e eu não conseguia tocar aquilo no concerto, por isso a professora fez-me um arranjo para eu conseguir tocar. Estivemos a tarde toda a treinar e fizemos um ensaio geral no final. Depois fomos a um supermercado com uma amiga nossa sueca, a Alba, que nos convidou a ir com ela. Comprámos umas saladas frias, que compomos, para jantarmos antes do concerto. Regressámos à escola para comer e jantámos com a Alba no terceiro andar. As professoras ficaram no primeiro andar. No terceiro andar, também estavam alunos a jantar; todos eles iam participar no concerto. Enquanto comíamos, perguntámos várias coisas a ela e descobrimos que o seu pai e avó eram portugueses. Foi muito divertido passar tempo com ela. Ainda antes do concerto, conhecemos a família da Alba e as professoras até trocaram contatos com a avó dela. Ao terminarmos de comer, já estava quase na hora do concerto. Já estavam a entrar pais para a sala gigante no terceiro andar, onde onde se ia realizar o concerto. Estávamos muito nervosos, mas correu bem. Foi uma experiência muito boa, divertida e enriquecedora fazer este concerto com eles. Voltámos para o hotel de autocarro e, durante a viagem, estive a ouvir música com a Inês. Enquanto caminhávamos para o hotel, eu, a Inês e o David (mais eu e a Inês, do que o David) estivemos a cantar algumas músicas. Ao chegarmos ao hotel, fomos todos para o nosso quarto onde estivemos a jogar jogos até tarde. Os rapazes, depois foram para o seu quarto e eu e a Inês preparámo-nos para ir para a cama, e fomos dormir.
● 4º dia: quarta-feira, dia 18 de março Dormimos até tarde e depois tivemos o dia todo a passear; visitámos dois museus. De manhã, tomámos o pequeno-almoço. O David e o Xinhao atrasaram-se, mas não foi muito problemático, pois ainda conseguiram comer. Voltámos para os quartos para lavar os dentes e vestir os casacos e fomos para a paragem de autocarro. Antes de sairmos, todos experimentamos um shot sem álcool de gengibre. Eu e a Inês experimentámos ao mesmo tempo e a professora Rosário gravou a nossa reação. O sabor era horrível, mas o pior era sentir o nosso peito a queimar, parecia que as nossas vias respiratórias e digestivas estavam a pegar fogo. E foi então que seguimos para o primeiro museu. Este tinha como tema a origem e a história de Gothenburg e localiza-se ao pé de um cabo. Tiramos várias fotos no cabo e dentro do museu. Adorei conhecer a cultura e a origem de Gothenburg. Na saída do museu havia uma loja de lembranças e estava a pensar comprar uma recordação para levar para casa. Depois de procurar e de ver todas as mercadorias, encontrei uns iman lindíssimos e pensei em comprá-los, mas decidi não o fazer, porque de certeza que noutros sítios havia mais coisas e com um preço mais baixo. O segundo museu era de design e fomos lá depois de almoçar. Antes de entrarmos em qualquer museu, temos de pôr os nossos pertences num cacifo, e neste, os cacifos tinham senhas para trancar as nossas coisas. Eu e a Inês partilhámos o cacifo, mas o código que tínhamos colocado não estava a funcionar. Tivemos de pedir ajuda à senhora da recepção e para ela ter a certeza de que as coisas eram nossas, tínhamos de dizer o que estava dentro do cacifo antes de o abrir para confirmar. Assustei-me ao saber que não conseguia abrir o cacifo, mas aprendi o que fazer… se alguma vez acontecer isto outra vez, vou saber como agir. Este museu estava dividido por andares, e no -1 havia uma exposição de cadeiras. A professora Dora contou-nos a importância de algumas delas e, ao pé dessa exposição, havia um auditório com um palco e a professora gravou um vídeo do Xinhao a falar em cima desse palco. O andar mais alto tinha as coisas mais antigas e ao descermos cada andar as coisas iam ficando mais recentes. No museu, estavam expostos objetos, roupas, utensílios do dia a dia, jogos, mobiliário, murais, estátuas, entre outras coisas, e tudo de épocas diferentes. Na zona mais moderna, havia uma atividade em que tínhamos de encontrar os objetos que estavam numa folha e se os encontrássemos todos, fazíamos bingo. Ao fazermos bingo, podemos receber um prémio na recepção. Nós participamos e fizemos todos bingo e ao chegar à recepção, a senhora disse que o prémio era só para crianças, mas deu-nos na mesma o prémio: um autocolante. Existiam dois tipos de autocolantes, com a imagem de duas estátuas diferentes. Ao longo das exposições, haviam espaços na parede com umas perguntas. Podíamos responder e colocar a nossa resposta num post it e colar à parede. Eu não respondi a nenhum, mas os meus colegas responderam a quase todos e as professoras também. Foi engraçado ver como as coisas eram antigamente e a sua evolução até aos tempos atuais. Também visitámos a catedral de Gothenburg e tirámos fotos dentro e fora dela. A catedral era muito simples e bonita por dentro. Por trás do altar havia uma estátua dourada de Cristo na cruz, com dois anjos ao seu lado. Em cima da entrada da catedral estava um grande órgão. Ao centro, existia um candeeiro muito simples, mas elegante; todas as paredes do interior eram brancas. Depois de tanto andar, já estava a ficar tarde, por isso fomos ver onde podíamos comer. Fomos a pé, em direção ao hotel para ver se no caminho encontrávamos algum restaurante, mas não encontrámos nenhum com boa comida e que pudéssemos ir, pois já estavam a fechar. Depois de muito andar, já estávamos perto do hotel e decidimos ver se a Central de Comboios tinha algum restaurante para comermos. Haviam vários, mas aí também reparámos que a maior parte deles estavam a fechar e, os que se mantinham abertos eram de fast food ou de comida estrangeira. Como não queríamos comer outra vez Burger King, fomos comer num restaurante japonês. A comida estava boa. Depois de jantar, fomos para o hotel. Neste dia, os rapazes voltaram a ir ao nosso quarto para jogarmos jogos até tarde. Foi muito divertido. Quando já estava mesmo tarde, eles foram para os seus quartos e eu e a Inês arranjámo-nos para irmos dormir. Antes de ir dormir, ainda falei com os meus pais e com uma colega minha.
● 5º dia: quinta-feira, dia 19 de março Hoje foi necessário acordar cedo, porque fomos assistir a um ensaio de uma orquestra e o David chegou, outra vez, atrasado para o pequeno almoço, mas ainda conseguiu comê-lo. Antes de sairmos, fomos para os quartos para lavar os dentes e pôr os casacos. Fomos de autocarro e ainda estivemos à espera do professor Hakan. Enquanto esperávamos, tirámos fotos à estátua de Poseidon e a professora esteve a explicar-nos coisas e as regras que tínhamos de cumprir no ensaio da orquestra, como por exemplo: não podíamos tirar fotos nem gravar nada, não podíamos falar porque corríamos o risco de desconcentrar os músicos e o ensaio estava a ser gravado (qualquer ruído podia arruinar a gravação), entre outras regras. Também vimos que o prédio onde íamos ver o ensaio está localizado numa zona com vários auditórios de artes, música e teatro e, também ficava ao pé do museu de artes e da biblioteca municipal, que é a maior de todas em Gothenburg. Quando o professor Hakan chegou, contou-nos algumas curiosidades sobre a orquestra, as peças que iam ensaiar, sobre a vida do compositor destas obras e sobre o maestro. Antes de entrarmos, estivemos à espera de alguém que nos recebesse. Na recepção, entregaram-nos as nossas identificações para pormos ao pescoço. Foi um senhor que nos recebeu e explicou novamente as regras e perguntou se precisávamos de beber água ou ir à casa de banho. Depois de todos estarmos novamente reunidos, fomos para a sala de espetáculos onde a orquestra ia ensaiar. Sentamo-nos e tirámos algumas fotos antes de começar o ensaio. Quando este começou, calámo-nos e desligámos os telemóveis. Foi encantador e extraordinário ver uma orquestra a tocar ao vivo para nós. Depois de uma hora de ensaio, fizeram uma pausa e conhecemos um músico português que tocava oboé na orquestra. Tirámos algumas fotos com ele e conversámos com ele antes da pausa acabar. Esta experiência foi incrível e estou muito grata por tê-la vivido. Ao terminar o ensaio, despedimo-nos do professor Hakan e fomos almoçar num restaurante. Foi nesse restaurante que experimentei as famosas almôndegas de Gotemburgo. Foram uma das melhores almôndegas que já comi na vida. A seguir, fomos visitar o museu de artes de Gotemburgo, que fica ao lado do prédio onde assistimos ao ensaio da orquestra, como já mencionei antes. No museu, consegui observar vários estilos de arte como o surrealismo, o realismo, entre outros. Também haviam coisas para interagirmos como por exemplo, uma mesa de ping pong onde podíamos jogar. Antes de irmos embora, depois da visita, fomos à loja do museu e comprei um baralho da Família Addams. E o melhor, é que os desenhos nas cartas são do modelo das BDs iniciais, ou seja, tem o traço da primeira Família Addams que foi apresentada ao público. Passámos o resto do dia a passear por aquela zona até à hora em que tínhamos de estar na Ópera para assistirmos a um musical com os professores Hakan e Peter. O musical chamava-se “Miss Saigon” que conta a história que decorre durante a Guerra do Vietname, na década de 1970. O musical conta a história de uma jovem orfã veitnamita que trabalha num bar/bordel em Saigão e de Chris, um soldado americano. Estes apaixonam-se, mas são separados quando ocorreu a queda de Saigão. Kim sobrevive e descobre que está grávida. Ela cria o filho de ambos com dificuldade, mas passados alguns anos, surgiu uma oportunidade de sair de Saigão e ir para Banguecoque, e acredita no regresso do seu amado Chris, mas mal sabe ela que ele está casado nos EUA. Chris, ao saber do seu filho com Kim, vai ao encontro dela. Quando esta descobre que Chris está casado, suicida-se para garantir um futuro melhor para o seu filho nos Estado Unidos e assim sacrificando-se para que Chris possa levar a criança consigo e a crie com a sua esposa. A obra explora temas como o desejo do “sonho americano” através do personagem do Engenheiro, temas de amor, cicatrizes da imigração e da guerra, sacrifícios e a vida dura da guerra. Adorei ver este musical e aprendi algumas diferenças e características deste estilo de espetáculo. Também adorei a história e como ela aborda os temas presentes nela e confesso que deitei uma ou duas lágrimas no final, quando Kim se sacrifica pelo filho. É doloroso ver uma mãe que ama o filho mais do que tudo, a deixar tudo para trás, e sacrificar-se por ele e pensar que o filho é muito pequeno e não se vai lembrar claramente da mãe. O professor Hakan já tinha visto este musical antes duas vezes e disse que, chorou em todas, inclusivamente desta vez. No meio do musical houve uma pausa para quem precisasse ir à casa de banho e usei esse tempo para falar com os meus colegas e falar sobre a peça. Quando terminou o musical, despedimo-nos dos professores e fomos buscar comida para levarmos para o hotel. Fomos ao Burger King, pois já estava muito tarde e a maior parte dos restaurantes estavam fechados. Quando chegámos ao hotel, fomos todos para os nossos quartos, vesti o pijama e, fui para o quarto dos rapazes. Também era para a Inês ir, mas ela estava ocupada a editar um vídeo que estava a fazer para uma amiga, por isso só fui eu. No quarto dos rapazes, jantámos, vimos partes de um filme que estava a dar na televisão e estreamos o meu baralho da Família Addams. Ensinei alguns jogos de cartas aos rapazes para jogarmos e estivemos até tarde a jogar. Depois fui para o meu quarto e quando lá cheguei, a Inês já estava a dormir. Lavei os dentes e fui para a cama.
● 6º dia: sexta-feira, dia 20 de março Tivemos de acordar muito cedo hoje para irmos para a escola, para gravarmos a música Mamma Mia. Desta vez, ninguém se atrasou para o pequeno almoço. Antes de eu e a Inês estarmos prontas para descer, os rapazes entraram no nosso quarto e fizeram-nos companhia até estarmos prontas. Saímos, fomos até à paragem de autocarro para irmos para a escola. Quando chegámos, fomos apresentados a todos (e até àqueles que já conhecíamos) e o professor Hakan deu tarefas a cada um dos alunos para se prepararem para as gravações. Uma das coisas que também fiquei impressionada na Suécia é que são os próprios alunos a ir buscar os instrumentos e equipamentos e a prepará-los sozinhos. Para não estarmos a olhar para a parede e não fazer nada, perguntámos se precisavam de ajuda e fomos ajudando na medida do possível. Fomos todos para o estúdio de gravações, menos os que iam gravar primeiro, depois de todos os equipamentos já estarem prontos. Os que iam gravar primeiro eram os músicos e as raparigas suecas que iam cantar. Quem ficou encarregue de estar no comando da gravação e dar indicações, ajustar a gravação no momento em que estava a ser gravada, foi um aluno e não um professor. Foi um aluno, pois na escola deles, eles aprendem como trabalhar em estúdios de gravação e o que devem fazer. Depois fizeram alguns testes de som e começaram a gravar. Foi muito engraçado ver no computador as faixas de áudio captadas da gravação. Ao terminarem a primeira gravação, foi a nossa vez de cantar e éramos os únicos do lado de fora, porque iam usar as mesmas faixas de áudio dos instrumentos enquanto nós cantávamos. Estivemos a cantar com auscultadores para ouvirmos a música e tínhamos um ouvido destapado para ouvirmo-nos uns aos outros. Enquanto nós cantávamos normalmente, a professora Rosário estava a fazer a segunda voz e a professora Dora estava a tirar fotos e a gravar-nos. Foi uma experiência incrível ter gravado uma música como os profissionais fazem e depois de todos ouvirmos as duas gravações juntas. Nós portugueses, agradecemos a hospitalidade de todos durante aquela semana e demos alguns presentes ao professor Hakan e à escola. Ao terminar as gravações, tivemos um momento de convívio com algumas raparigas suecas que participaram nas gravações e ficámos todos amigos. No final do convívio, elas convidaram-nos para assistir à sua aula de coro e fomos pedir autorização às professoras que nos deixaram ir, mas foi necessário sair no meio da aula, porque tínhamos de ir embora. Ao irmos embora despedimo-nos de todos os que estavam na aula e antes de sairmos da escola, a Alba e a Vera (amigas suecas), saíram da sala para se despedirem de nós. Abraçamo-nos todos e tirámos uma foto de despedida. Foi um bocado triste sair daquela escola e de nos despedirmos dos nossos amigos, mas as lembranças e os sentimentos ficaram para sempre nos nossos corações. Fomos almoçar fora num restaurante e passámos o resto do dia a passear e a ver lojas para comprarmos lembranças para levar para casa. Experimentámos um bolo típico de Gotemburgo ao lanche e depois de um dia longo e cansativo, fomos jantar num restaurante chique. Quando regressámos para o hotel, a Inês e eu fomos para o quarto dos rapazes e jogámos uma partida de cartas e logo a seguir fomos para o nosso quarto preparamo-nos para ir para a cama. Só jogámos uma partida, porque tínhamos de nos deitar cedo para acordar também cedo para irmos para o aeroporto. Antes de ir dormir, organizei as minhas coisas para no dia seguinte já ter a mala quase toda feita e faltar pouca coisa para guardar e não me custar a acabá-la.
● 7º e últimos dia: sábado, dia 21 de março Acordámos cedíssimo para estarmos às 5 horas no aeroporto e acabarmos de fazer as nossas malas para irmos embora. Quando todos já estávamos na recepção, foi-nos entregue um saco com comida para levarmos. Foram muito simpáticos. Fomos de autocarro para o aeroporto e aí, tivemos de guardar a comida nas nossas malas, pois não a podíamos levar connosco, no saco. Quanto aos líquidos, ou os consumimos, ou deitámos fora (regras, são regras…). Depois de passar pela segurança, estivemos uma hora à espera que as portas de embarque se abrissem e, para ocuparmos esse tempo, eu e a Inês fomos ver as lojas do aeroporto. A Inês comprou uns chocolates para a viagem. Aproveitámos para ir à casa de banho e ainda tivemos tempo de comer alguma da comida que nos deram. Antes das portas de embarque abrirem, a professora Dora recebe um email a dizer que o nosso voo de Amesterdão para Lisboa teve um atraso. As professoras ficaram preocupadas e disseram que iam pedir ajuda no aeroporto de Amesterdão, porque as portas de embarque estavam quase a abrir. Ao abrirem as portas de embarque fomos logo para a fila e fomos para o avião. Já no avião, distribuímos-nos do mesmo modo como fizemos no primeiro voo que fizemos, de Lisboa para Amesterdão. Quando chegámos a Amesterdão fomos pedir ajuda, devido ao atraso do nosso voo. O nosso voo passou a ser à noite, por isso, para não estarmos o dia todo no aeroporto, decidimos que íamos sair e passear um pouco pela cidade. Antes de sairmos, fomos guardar as nossas coisas num cacifo no aeroporto e a professora Rosário comprou-nos uns passes para andarmos no comboio. Fomos de comboio até ao centro da cidade e a primeira coisa que reparámos foi que as pessoas usavam muito bicicletas. Para qualquer direção que olhávamos havia bicicletas por todo o lado. Em Amesterdão, passamos pelo Bairro Vermelho que é um dos bairros mais antigos da cidade e é usado muito para obtenção legal de drogas e de prostutuição. Fiquei traumatizada, mas foi uma maneira de ver que as culturas, comportamentos e costumes de cada país são totalmente diferentes uns dos outros. Também vimos onde fica a casa de Anne Frank e uma parte de fora da catedral de Amesterdão. Fomos a um café descansar e beber alguma coisa. Depois, almoçámos num restaurante com comida típica de Amesterdão. A maior parte do tempo que estivemos no centro da cidade, estivemos a andar e a apreciar as vistas. Como tivemos que andar muito, reparámos como a arquitetura de Amesterdão é tão diferente. Os prédios eram pequenos e pareciam que estavam tortos, inclinados e pareciam que iam cair para o lado. Esses prédios estavam mais para a ”zona velha de Amesterdão” e o Bairro Vermelho também fazia parte dessa zona. Também em cada rua havia um canal e tirámos várias fotos nesses canais. Quando acabámos de almoçar fomos para a Central de comboios de Amesterdão para voltar para o aeroporto. Ao chegarmos, fomos buscar as nossas coisas, fizemos o check-in e passámos o resto do dia no aeroporto à espera da hora do voo. Enquanto esperávamos a professora Dora ligou a uma amiga que podia-nos ajudar com a nossa situação, mas a nossa única opção era esperar e ver se podíamos ir neste voo ou, se tínhamos de esperar por outros voos. Passámos o resto do dia a jogar cartas, a falar, a passear pelo aeroporto e a ver as lojas. A Inês, o Xinhao e o David foram comprar uma bebida no StarBucks e eu estava com eles, mas não pedi nada. O David também pediu um donuts e partilhou-o comigo. Quando finalmente chegou a hora do nosso voo, passámos pela segurança, estivemos à espera na porta de embarque e as professoras estavam a ver se podíamos ir nesse avião. Enquanto esperávamos, sentia-se no ar um ambiente de nervosismo e de preocupação. Mas esse ambiente desapareceu depois de termos a confirmação de que podíamos ir nesse voo. Finalmente, depois de esperarmos imenso, as portas de embarque abriram e, ao entrarmos no avião, senti que estava a finalizar um capítulo da minha vida e, que depois, quando saisse do avião e estivesse de volta a casa, estaria a começar um novo capítulo na minha vida. Estava nervosa, mas feliz de terminar um capítulo que fez o meu coração bater ainda com mais alegria e com aprendizagens novas, que posso aplicá-las no futuro. Estive a dormir a viagem toda, porque sabia que tinha de estudar no dia seguinte, pois estava cheia de trabalhos e de testes para fazer. Isso rendeu umas belas fotos minhas a dormir para a Inês. Ao chegarmos a Lisboa, as nossas famílias já estavam à nossa espera e quando vi os meus pais o meu coração encheu-se de alegria. Dei-lhes um abraço com força e ao despedir-me de todos senti um pouco de tristeza por ir embora, mas sabia que aqueles amigos seriam para a vida e que depois de tudo o que passámos juntos, vamos continuar a encontrar-nos e a ter novas aventuras incríveis no futuro. Com esta experiência de Erasmus, aprendi montes de coisas e experienciei uma cultura diferente e os seus costumes. Também valorizo mais as outras culturas e a minha. Durante esta viagem, aprendi sobre responsabilidade e autonomia e sinto que amadureci. Aprendi valores de amizade e que não devemos ter vergonha de conhecer culturas novas e as suas pessoas. Tudo o que aprendi, experienciei e senti irá ficar guardado no meu coração e nas memórias que fiz pelo caminho. Os amigos que fiz serão para a vida e esta viagem estará sempre no meu coração. Estou muito grata por ter tido esta oportunidade e espero que no futuro possa também ter mais oportunidades como esta ou até melhores e mais longas.
























